Agências

Gestão de Relacionamento com o Cliente

O cenário de captação e retenção de clientes para agências e consultorias ganhou novos desdobramentos em 2025. Mais do que adicionar novos logotipos no portfólio, o verdadeiro desafio do setor hoje é atrair as contas certas, aumentar o ticket médio e estancar o churn.

Neste capítulo de Clientes do Panorama de Agências e Consultorias 2026, convidamos você a revisitar e evoluir suas estratégias. Ao longo dos próximos subcapítulos, trazemos análises atualizadas sobre o perfil das contas, modelos de contrato, e os verdadeiros motivos por trás das vendas e dos cancelamentos.

Qual é o principal perfil de clientes atendidos pelas agências e consultorias?

Para começar, vale entender para quem as agências e consultorias estão prestando serviço atualmente. Ao analisarmos a evolução histórica de 2023 a 2025, notamos um amadurecimento constante e progressivo da carteira. As empresas de médio e grande porte não apenas se consolidaram como a maioria, mas agora representam 54% dos clientes atendidos.

O maior destaque fica por conta do salto impressionante e contínuo no atendimento a grandes empresas, que quase triplicou em três anos: passando de apenas 9% em 2023, para 14% em 2024, e chegando a expressivos 23% no último ano. Em contrapartida, a base de micro e pequenas empresas vem encolhendo ano a ano.

Qual é o principal perfil dos clientes atendidos pela agência/consultoria?

2023
2024
2025

Empresas de médio porte

30%
36%
31%

Pequenas empresas

36%
29%
27%

Grandes empresas

9%
14%
23%

Microempresas

25%
21%
19%
349 respondentes (Resposta única).

Apesar da queda, as micro e pequenas empresas ainda representam 46% da base. Atender esses perfis menores exige processos extremamente enxutos e pacotes de serviços bem alinhados, para que a agência consiga garantir margem de lucro sem sobrecarregar a operação. Já para a crescente fatia de médias e grandes contas, o posicionamento exigido é mais consultivo, com rituais robustos que comprovem o impacto no negócio do cliente.

Como agências e consultorias estão se comunicando hoje com seus clientes?

A comunicação é a espinha dorsal da relação agência-cliente. E, sem surpresas, o WhatsApp (Chat online pessoal) continua dominando o contato no dia a dia, sendo o canal prioritário para 58% das agências e consultorias em 2025. Como visto no capítulo sobre RD Conversas, é fato que o WhatsApp é utilizado predominantemente como ferramenta de comunicação para atendimento.

O modelo de videochamadas (53%) também se consolida como uma forte ferramenta de alinhamento, seguido pelas reuniões presenciais e e-mail, essenciais para a documentação e apresentação de resultados.

 Qual o principal canal de comunicação com o cliente?

Chat online pessoal (WhatsApp, Telegram)

58%

Vídeo Chamada (Google Meet, Zoom, Teams)

53%

Reuniões presenciais

36%

E-mail

36%

Chat online profissional (Slack, Google Hangouts, etc.)

32%

Conversas informais

9%

Software (Operand, Trello, Runrun.it, etc.)

8%

Outro

1%
713 respondentes (Resposta múltipla).

Quais são os modelos de contratos e a realidade do ticket médio?

Olhar para o formato de cobrança e para o ticket médio é o melhor termômetro de rentabilidade do setor. Ao analisar os dados, observamos uma mudança drástica nos modelos contratuais adotados pelas agências e consultorias de negócios: a modalidade de fee mensal fixo, que dominava 74% do mercado em 2024, recuou para 32% em 2025.

O trabalho pontual (por entrega) também caiu pela metade (de 42% para 22%). Esse movimento sugere que o mercado está abandonando a venda de pacotes padronizados e engessados para diversificar seus modelos de receita, apostando em formatos híbridos ou de performance.

Qual tipo de contrato realiza com os clientes?

2024
2025

Fee mensal fixo

74%
32%

Por trabalho realizado

42%
22%
713 respostas (Múltipla seleção).

A melhor notícia do mercado, porém, aparece quando cruzamos os modelos de contrato com o Ticket Médio: o setor está, inegavelmente, conseguindo cobrar mais. Ao observarmos a série histórica (2023 a 2025), notamos uma migração clara das agências e consultorias para um posicionamento mais premium e consultivo.

A base de clientes com ticket de entrada até R$ 2 mil vem encolhendo ano a ano. Em contrapartida, os contratos de alto valor dispararam. A fatia de empresas cobrando mais de R$ 15 mil mensais por cliente mais que dobrou no período, saltando de apenas 7% em 2023 para expressivos 18% no último ano.

Qual o ticket médio por cliente?

2023
2024
2025

Até R$ 2 mil

44%
39%
34%

De R$ 2 a 5 mil

29%
28%
22%

De R$ 5 a 10 mil

14%
16%
17%

De R$ 10 a 15 mil

5%
6%
9%

Mais de R$ 15 mil

7%
12%
18%
349 respondentes (Resposta única).

Com o encolhimento da base de entrada e a expansão acelerada dos grandes contratos, o mercado sinaliza uma forte evolução na rentabilidade. Essa transição comprova que as agências e consultorias estão deixando de atuar apenas como “fábricas de criação” para se posicionarem como verdadeiras parceiras estratégicas.

Os dados revelam que clientes mais maduros estão cada vez mais dispostos a pagar um valor premium por serviços que agreguem diretamente ao seu modelo de negócio e gerem impactos reais no faturamento.

"O mercado atual não perdoa o amadorismo comercial. Se a sua agência não possui metas documentadas e um canal de aquisição que não dependa exclusivamente de indicação, você continuará vulnerável às oscilações da sua carteira atual."

Lívia LimaGerente de Marketing na RD Station

Quais as principais formas e o volume de captação de novas contas?

A dependência das indicações continua liderando as estratégias comerciais (28%), o que prova a força da rede de contatos e da reputação no mercado. No entanto, apoiar-se exclusivamente no boca a boca esconde uma enorme fragilidade para agências e consultorias de negócios que buscam um crescimento previsível.

Para sustentar um posicionamento premium, é fundamental estruturar uma máquina de vendas: não à toa, a prospecção ativa (outbound marketing) já se consolidou como a segunda maior força de captação de clientes (20%).

Qual a principal forma de captação de clientes da sua empresa hoje?

Indicações

28%

Prospecção ativa (outbound marketing)

20%

Marketing digital

18%

Parcerias estratégicas

17%

Propaganda/Divulgação da empresa

12%

Inbound Marketing

9%
713 respostas (Múltipla seleção).

Apesar das dificuldades na diversificação de canais, o mercado mostrou resiliência na expansão de suas carteiras. Quando analisamos a série histórica de aquisição, notamos uma polarização interessante. A maior parte do mercado ainda conquista até 5 clientes recorrentes ao ano, mas esse volume vem caindo (de 50% em 2023 para 44% em 2025).

Em contrapartida, o grupo de alta performance que conquista mais de 10 clientes continuou crescendo ano a ano. O alerta fica para os 13% que não fecharam nenhuma nova conta de recorrência, o que reforça a urgência de profissionalizar o funil comercial.

Quantos clientes recorrentes conquistou no último ano?

2023
2024
2025

Até 5 clientes

50%
48%
44%

Mais de 10 clientes

20%
22%
23%

De 6 a 10 clientes

20%
20%
19%

Nenhum

10%
11%
14%
349 respondentes (Resposta única).

Qual é a principal estratégia para expansão de contas (Upsell e Cross-sell)?

Vender para quem já está dentro de casa é estatisticamente mais barato e lucrativo do que buscar uma nova conta no mercado. No entanto, 34% das agências e consultorias não possuem uma estratégia estruturada para expansão de contas, deixando um volume expressivo de dinheiro na mesa.

Entre as que possuem métodos definidos, a oferta de novos níveis de um mesmo serviço, o Upsell (21%), lidera as iniciativas. Operar sem um funil de relacionamento focado em vender novos projetos ou Cross-sell (14%) é um gargalo perigoso para empresas que desejam aumentar o LTV (Lifetime Value) e o ticket médio dos seus clientes.

Qual é a principal estratégia de expansão de contas hoje?

Upsell de serviços existentes

21%

Projetos pontuais adicionais

19%

Cross-sell de novos serviços

14%

Aumento de escopo

12%

Não temos estratégia estruturada

34%
349 respondentes (Resposta única).

Por quais motivos os clientes escolhem uma agência?

Entender os gatilhos de fechamento e de distrato é o melhor guia para refinar sua estratégia de vendas e Sucesso do Cliente. Os dados comprovam a tese do amadurecimento estratégico: na hora de fechar negócio, o atendimento e relacionamento (28%) e a especialização em nicho (19%) falam muito mais alto do que o próprio preço (8%). Clientes maduros não buscam a prestadora de serviços mais barata; eles buscam parcerias estratégicas capazes de entender profundamente o seu contexto e os desafios do seu negócio.

Qual fator faz um cliente escolher sua agência/consultoria hoje?

Atendimento/relacionamento

28%

Indicações

23%

Especialização em nicho

19%

Cases e autoridade

12%

Velocidade de entrega

10%

Preço

8%

Não sei

5%
713 respostas (Múltipla seleção).

Mas essa relação de confiança precisa se justificar no longo prazo. Quando analisamos o histórico de cancelamentos, fica claro que o grande gargalo do setor sempre esteve na eficácia da entrega consultiva. No relatório do ano passado, a falta de percepção de valor no serviço prestado liderava isoladamente os motivos de distrato, atingindo impressionantes 52% das respostas, seguida pela concorrência com outras agências (28%) e problemas internos de capacidade (21%).

Ao consolidar os dados mais recentes, vemos uma melhora expressiva do mercado na retenção: a queixa sobre a falta de percepção de valor despencou consideravelmente. Ainda assim, com 16%, ela se mantém no topo da lista como o principal motivo de churn.

E por que os clientes cancelam com uma agência?

Quais são os principais motivos pelos quais a empresa perde clientes?

Cliente não percebe valor no serviço prestado

16%

Mudança de prioridades do cliente

13%

Expectativas desalinhadas

12%

Concorrência com outras agências

10%

Preço

10%

Problemas na comunicação com cliente

9%

Não mensuramos

8%

Problemas internos de capacidade da agência

7%

Cliente abre uma área interna para desenvolver o trabalho

7%

Cliente contrata freelancers para desenvolver o trabalho

3%
713 respostas (Múltipla seleção).

O antídoto para a falta de percepção de valor: Os dados confirmam que a grande maioria dos cancelamentos hoje não acontece por culpa da concorrência (10%), da perda de espaço para equipes internas (7%) ou freelancers (3%). O verdadeiro perigo mora nas expectativas desalinhadas (12%) e na incapacidade de comprovar o ROI.

Agências e consultorias de negócios que investem em alinhar muito bem o onboarding e que traduzem dados complexos em relatórios de impacto direto no negócio tendem a estancar a sangria de churn e construir relações duradouras. No fim das contas, não é apenas sobre o volume das suas entregas operacionais, mas sobre o valor real que o cliente percebe que recebeu.

Resumo do capítulo

→ É possível perceber que o mercado consolidou seu amadurecimento rumo a um posicionamento premium: vemos uma migração clara da carteira para médias e grandes empresas (que agora somam 55% da base). Essa mudança refletiu diretamente no encolhimento de contratos baratos e em um salto expressivo no ticket médio acima de R$ 15 mil, provando que o setor está deixando de ser apenas uma “fábrica de criação” para atuar como verdadeiras parceiras estratégicas e consultorias de negócios.

A captação previsível é o divisor de águas no crescimento. A dependência de indicações ainda lidera o processo comercial (28%), mas apoiar-se exclusivamente no boca a boca esconde grandes fragilidades. O fortalecimento da prospecção ativa (outbound) como segundo maior canal de aquisição mostra que estruturar o funil comercial e diversificar canais é o caminho definitivo para atrair as contas certas.

→ Quando olhamos para a retenção, os dados revelam uma melhora expressiva na entrega do mercado, mas a falta de percepção de valor no serviço prestado continua sendo a principal causa de churn (cancelamento). A lição que fica é clara: não basta entregar volume operacional; é essencial alinhar muito bem as expectativas no onboarding e comprovar o ROI traduzindo relatórios em impacto direto no faturamento.

No fim das contas, entender o mercado é apenas o primeiro passo; liderá-lo exige movimento. Qual será a sua primeira ação prática para transformar esses dados em contratos mais rentáveis e duradouros para a sua operação?

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