Diversidade e Inclusão como estratégia para alavancar negócios

As companhias que trabalham com Diversidade e Inclusão tendem a superar as outras em práticas de negócios como inovação e colaboração, além de geralmente possuírem ambientes de trabalho mais felizes

Victor Lambertucci
Victor Lambertucci19 de outubro de 2022
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Este artigo foi escrito por Victor Lambertucci, que é CEO da Profissas, a Escola da Diversidade. Tucci é palestrante confirmado do RD Summit 2022, que acontece entre os dias 26 e 28 de outubro em Florianópolis. O evento contará, também, com uma curadoria de palestrantes e painelistas da Profissas.

RD Summit

A busca por um mundo com oportunidades equânimes e respeito às diferenças deve abranger todas as áreas da sociedade. Nas organizações, portanto, não pode ser diferente! Diversidade e Inclusão têm ganhado cada dia mais força nas empresas. 

A pauta é urgente e necessária, já que trata diretamente do futuro dos negócios. Investir nessa prática é sobre responsabilidade social, reparação histórica, mas também uma enorme oportunidade de potencializar inovação e expansão de negócios. Se você ainda tem dúvidas sobre a importância do tema ou quer mais argumentos para defender esse caminho, me acompanhe até o fim do artigo. 

No Brasil, já tivemos muitos avanços na área, mas a jornada ainda é longa e pede atenção redobrada por parte de CEOs, lideranças e profissionais de RH das empresas.

Diversidade e Inclusão como diferencial nas companhias

Engana-se quem acha que Diversidade e Inclusão são coisas passageiras ou sobre outras pessoas. Falar sobre essa temática é falar sobre nós e a nossa natureza plural e multifacetada. Como são as pessoas que movem os negócios, são elas as maiores responsáveis por todas transformações até aqui nas organizações, e também pelo o que está por vir. 

Nesse contexto, é importante reforçar que o movimento por um mercado mais plural e inovativo é uma jornada contínua e que deve ser intencional. Afinal, vivemos em um sistema social excludente, que privilegia determinados grupos e não oferece condições de vida, trabalho, acesso à saúde e outros com equidade. 

Imagine se todas as pessoas tivessem oportunidade de se desenvolver, trabalhar com o que são boas, se sentir pertencentes a um projeto com o qual têm afinidade. O quanto isso pode ser propulsor de produtividade, inovação e lucratividade, já parou pra pensar? 

As companhias que trabalham com Diversidade e Inclusão tendem a superar as outras em práticas de negócios como inovação e colaboração. Além disso, geralmente possuem ambientes de trabalho mais felizes, com melhor retenção de talentos, ganhos de performance e resultados financeiros superiores às companhias que não investem na área. 

Isso não sou eu que estou dizendo, são cases e pesquisas de entidades de referência como McKinsey e ABERJE.

Victor Lambertucci - Profissas - Escola de Diversidade e Inclusão
Victor Lambertucci, CEO da Profissas e autor deste texto

Ainda em dúvida? Vou te ajudar mostrando os números! 

Se sua empresa realmente deseja impulsionar os negócios, ao mesmo passo que acolhe e desenvolve as pessoas, já passou da hora de investir efetivamente nisso. Para se ter uma ideia, dados de 2019 da ABERJE (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) apontam que 15% do PIB brasileiro corresponde ao faturamento das empresas que apresentavam programas estruturados de Diversidade e Inclusão.

E tem mais: estudo da consultoria multinacional McKinsey, chamada “A diversidade como alavanca de performance”, afirma que empresas com mais diversidade de gênero faturam 21% a mais. O mesmo levantamento diz que companhias com diversidade étnica e cultural lucram 33% a mais

E aí, já começou a entender a relevância da Diversidade e da Inclusão para os bons resultados  das organizações? É imprescindível fazer com que as lideranças e RH compreendam o potencial econômico dos grupos representativos, que de modo geral ainda sofrem muitos preconceitos e não são acolhidos da maneira certa nas empresas.

Não é opção, é regra até na Bolsa de Valores! 

A B3, bolsa de valores oficial do Brasil, terá novas regras para as empresas listadas na bolsa, com o objetivo de ampliar a diversidade em cargos de alta liderança. Isso significa que, até 2026, as companhias precisarão ter ao menos uma mulher e um integrante de uma comunidade sub-representada em seu conselho de administração ou diretoria. 

Ou seja, se a organização já está ou pensa em entrar na Bolsa, precisará ter lideranças negras, femininas, LGBT+, com deficiência, entre outros grupos. A regra é conhecida como “pratique ou explique”: a corporação que não cumprir as regras, terá que se justificar perante o mercado. 

O novo direcionamento ainda não está valendo, mas será implementado em até dois anos depois da vigência da norma, prevista para 2023. Isso significa que as empresas listadas terão um prazo para desenvolver iniciativas de formação e empoderamento de novas lideranças diversas.

Até lá, as companhias precisam pensar nos processos de Diversidade e Inclusão, em como eles são construídos, a quem eles servem, a quem eles apoiam, saber quem está envolvido e o que a empresa almeja no futuro, ao investir na transformação do ambiente corporativo.

>> Leia mais: ARTIGO: “Pretos no topo”? A falta de representatividade nos cargos de liderança

As armadilhas do Tokenismo 

É inegável o potencial transformador de D&I nas empresas. Entretanto, a maneira superficial como muitas ações são conduzidas, fazem com que os resultados desejados sejam opostos. Então ocorre o que chamamos de tokenismo. 

O termo refere-se à prática de colocar um esforço simbólico ou superficial para tratar sobre um determinado tema nas empresas. Quando o assunto é Diversidade e Inclusão, por exemplo, é muito comum as companhias trocarem a foto do perfil nas redes sociais, incluindo a bandeira do arco-íris no mês do Orgulho LGBT+.  

Há também ações como palestras isoladas no Mês da Consciência Negra, Dia das Mães, Dia Internacional da Mulher, ou qualquer época que traga os grupos representativos para o foco do momento. São atividades que causam a impressão de que a organização se compromete com a igualdade racial, de gênero/sexualidade, entre outros. 

Infelizmente, o que acontece, na maioria das vezes, é que as políticas de promoção e valorização profissional nas empresas permanecem, explícita ou implicitamente, discriminatórias e incentivando homens brancos nas posições mais bem-remuneradas e que envolvem poder de decisão.

Hoje, para se ter uma ideia, inúmeras companhias têm buscado acelerar o processo de inclusão da Diversidade. Entretanto, muitas vezes isso não ocorre de forma ideal e responsável. Como consequência, aumentam-se as ocorrências de assédio, capacitismo, racismo, homofobia ou transfobia nas empresas, por não se prepararem adequadamente ou não buscarem ajuda de consultorias especializadas, como a Profissas, Escola da Diversidade.

diversidade e inclusão nos negócios
Foto de Christina @ wocintechchat.com no Unsplash

Então, como ter Diversidade e Inclusão no processo seletivo?

Não basta dizer que a vaga é afirmativa sem preparar o time de Recrutamento e Seleção para conduzir o processo seletivo. Muito menos convidar uma pessoa para dar uma palestra de uma hora e achar que isso vai resolver. Não se resolve centenas de anos de um padrão excludente com um bate-papo avulso, apenas em datas comemorativas. Falar sobre D&I é debater e se aprofundar sobre um tema extremamente sensível e complexo. 

As estratégias devem ser planejadas e estruturadas. Só assim farão toda diferença para os resultados que a empresa deseja obter, sem tirar as pessoas do centro. Nesse sentido, as organizações não podem cair nas armadilhas do Tokenismo, elas devem transformar a cultura organizacional para serem inclusivas em toda a jornada da pessoa colaboradora, desde o anúncio da vaga até o seu desligamento.

Não pode ser um ato isolado, mas algo que envolva RH, lideranças e todo o time da empresa, todos os dias do ano. Em uma empresa que trabalha a pauta, o respeito e a empatia permitem que todas as pessoas colaboradoras se sintam mais seguras, tranquilas e acolhidas, reduzindo assim a taxa de rotatividade. 

Nessa lógica, a promoção da cultura inclusiva deve ser acompanhada de planejamento e governança de ações propositivas, com plano estruturado para o desenvolvimento de pessoas diversas. Feitas pelas razões certas, melhoram a imagem da organização e atrai pessoas que desejam trabalhar em um ambiente diverso e acolhedor.

>> Leia mais: Profissionais líquidos: as sabedorias de Zygmunt Bauman e Bruce Lee aplicadas à sua carreira

O ganho com Diversidade e Inclusão é coletivo

Acredito que, nos próximos anos, as empresas não conseguirão fugir de um plano bem elaborado de Diversidade e Inclusão. Para isso, é preciso começar (recomeçar se for preciso) e aprimorar sempre quando o assunto é esse. 

Afinal de contas, quando trabalhamos a prática de D&I nas organizações, reduzimos as desigualdades sociais e, paralelamente, estimulamos as empresas a serem mais produtivas e eficientes. Como citado, números e estudos comprovam que o compromisso com a diversidade garante à empresa o fortalecimento de seus valores organizacionais e sociais, além de mostrar que um ambiente inclusivo é mais saudável e propicia melhores resultados. 

Mesmo que as organizações ainda tenham muito trabalho pela frente, o importante é ter em mente que a construção de uma cultura inclusiva é uma pauta que deve ser de todas as pessoas e empresas, com um trabalho duradouro e intencional.

Conheça a Profissas

Na Profissas, Escola da Diversidade em que sou sócio e CEO, criamos programas de educação corporativa exclusivos, eventos, formações online e outros conteúdos educativos, além de apoiar as empresas com consultoria, para provocar a transformação no mercado de trabalho, criando oportunidades de desenvolvimento e acolhimento para todas as pessoas nas organizações e garantindo que a inclusão aconteça de verdade.

E aí, o que acha de seguirmos juntes nessa jornada? Espero seu contato pra continuarmos essa conversa.

RD Summit
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