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Web Summit: tudo o que aconteceu na semana mais tech de Lisboa

O Web Summit é o principal evento de tecnologia da Europa. Veja o que aconteceu na edição de 2018, as principais tendências, as novidades e as aprendizagens da maior conferência de tecnologia do ano.

“Phew…What a week”, a semana mais tech e internacional de Portugal deixou-nos a pensar e falar em inglês por quatro intensos e longos dias. O Web Summit chegou a sua 3ª edição em Lisboa e, como já sabemos, por cá fica durante mais 10 anos, apesar das opiniões distintas que tal decisão gera no país.

Seja qual for a sua opinião, o facto é que o Web Summit atrai os olhos para a Capital, movimenta o mercado e é palco para discussões fundamentais para o universo do Marketing, empreendedorismo e tech. Aproveitar todos os dias, na sua potência máxima exige planeamento, saber dar prioridade aos temas que tem interesse e fôlego para caminhar de um pavilhão para o outro. A pensar na dimensão do evento, decidimos fazer esta edição da aWeekIn10’ exclusiva sobre o Web Summit, seja para aqueles que foram e – sem dúvidas – não conseguiram ver tudo o que desejavam, como também para aqueles que estão cheios de curiosidade para saber o que aconteceu.

Web Summit 2018

 Websummit em números

Quem chega na zona do Parque das Nações fica rapidamente impressionado com a dimensão do evento. Para os marinheiros de primeira viagem, o impacto é ainda maior. Os números do Web Summit podem ser considerados megalómanos (assim como o valor dos bilhetes, sejamos sinceros). A verdade é que estão reunidos ali na FIL, grandes nomes da política, tecnologia, empreendedorismo, marketing, moda, criatividade do mundo, além da presença das grandes marcas e os famosos unicórnios que tem feito uma verdadeira revolução no mercado nacional.

Estivemos a pensar qual seria a melhor forma para conseguir passar para aqueles que não puderam estar presentes qual é a verdadeira dimensão do Websummit. Para não carregar o seu email com fotografias e vídeos, afinal, isso pode ver a nossa cobertura no Instagram, decidimos trazer alguns dos principais números da edição de 2018.

  • 69.304 participantes (número semelhante à população de Santo Tirso, Ponta Delgada ou Faro);
  • +1800 startups;
  • +1200 palestrantes internacionais;
  • ≅63.000 chávenas de café consumidas;
  • +2600 profissionais dos media;
  • Cada participante caminhou em média 13.5km por dia. Todos os participantes juntos, caminham uma distância suficiente para chegar à Lua duas vezes (935.694 km).

Outros números relativamente ao Web Summit ainda vão aparecer nas próximas edições da news. Afinal, o evento acabou há pouco e brevemente serão anunciados os volumes dos negócios gerados durante a semana em Lisboa.

Web Foundation

Parece que já faz um mês, mas a noite de abertura aconteceu na última segunda-feira, 5, no Altice Arena com a presença do Primeiro Ministro, António Costa. No entanto, a grande atração da noite, para além de Paddy Cosgrave, CEO do Web Summit, foi o Sir Tim Berners-Lee, criador da WWW e defensor incansável de uma rede livre, global e que possa ser usada apenas de forma positiva (algo que soa quase como uma utopia).

A palestra de Tim Berners-Lee trouxe dois pontos para a audiência. O primeiro deles é que em 2019, pela primeira vez na história da web, metade do planeta Terra vai estar online e, por essa razão, a Web Foundation está a propor um contrato pela Web. A proposta de Tim e da sua fundação divide a responsabilidade entre três partes:

Governo: Garantir acesso global, manter o acesso a internet a tempo todo e respeitar o direito de privacidade dos cidadãos.

Empresas: Garantir que a net seja acessível a toda a gente, respeitar o uso dos dados e desenvolver tecnologias que promovam as melhores ações e vença as piores atitudes na rede.

Cidadãos: Serem criadores e produtores de conteúdo para web, criar comunidades que respeitam o discurso e a dignidade humana, além de lutarem constantemente para garantir que a web seja pública, livre e global.

Um grande desafio, pois não? Para muitos, a ideia não passa de um documento com impacto questionável, para outros, é um grande passo para a consciencialização das três partes envolvidas no contrato.

To be purpose driven

Quem percorreu as diferentes conferências do Web Summit ouviu uma palavra, independente do tema da talk, painel ou apresentação: propósito.

É provável que esteja a pensar: “Mas o que isso tem de novo?”. A princípio nada. Mas, na prática, muito. Durante muito tempo, falou-se em ter propósito em especial para aqueles que trabalham nos setores criativos, assim como no Marketing. No entanto, o que vimos nos últimos dias foi a proliferação do uso e da busca por propósito em todos os painéis, desde os mais inspiradores aos de cariz tecnológico.

Encontrar um propósito, tanto para si quanto para a sua empresa não é um processo simples. No momento no qual vivemos, de altíssima velocidade, conseguir parar por alguns segundos é o segredo para encontrar o caminho, de acordo com Alex Tew e Michael Acton, co-founders e co-CEO da app Calm. Não há dúvidas que esta pausa é um verdadeiro desafio. A ideia de propósito também pode ser levada para um aspeto bastante prático para as empresas. Durante um painel da Saas Monsters, Edith Harbaugh, CEO da LaunchDarkly, Nicolas Dessaigne, CEO da Algolia, Harry Glasser, Founder e CEO da Periscope Data e Connor Murphy, Managing Director da Techstar, discorreram sobre a dificuldade que é crescer rapidamente, porém de forma sustentável. Como? Através do Culture Code, ou em bom português, Código de Cultura, um documento que deve ser constantemente avaliado, que reúne todos os valores da empresa e, que deve ser apresentado a cada novo funcionário. Em suma, estamos a falar da mesma palavra: propósito. Afinal, quando uma empresa ainda é pequena, os seus funcionários conhecem e aprendem o propósito com o próprio fundador. Aos poucos, com o crescimento, este propósito pode dispersar e iniciar uma série de problemas que vão criar impacto desde o relacionamento pessoal às vendas.

Purpose driven - Web Summit

Viver por um propósito e trabalhar pelo mesmo. Essa foi a maior lição deixada por Rick Ridgeway, VP of Public Engagement da Patagonia. Através de uma palestra que mesclou a vida pessoal com a profissional, Rick partilhou os valores centrais da empresa e chamou a atenção do papel dos empreendedores. Para o VP, qualquer atitude realizada sem propósito é um verdadeiro desperdício das nossas “preciosas e únicas vidas”. Para se ter uma ideia da relevância da palavra propósito nessa edição do Web Summit, Ainda na mesma linha, Nico Rosberg, Vencedor da Formula One de 2016 e Stephen Kaufer, CEO do TripAdvisor, conversaram no Centre Stage sobre o desafio da tomada de decisões em ambientes de ritmo acelerado. A conclusão final? “Se tem um propósito, tudo acontece de maneira mais fácil.”

O futuro da criatividade

Numa conferência global de tecnologia, é impossível não ouvir ou ler a palavra futuro em praticamente todos os stands, materiais de divulgação e outros dispositivos. Qual será o futuro disso ou daquilo? Questionam os oradores sobre qualquer que seja o tema. Vivemos em busca de respostas e, por mais que isso possa soar um bocado filosófico, é exatamente essa busca que faz-nos ir além, inovar e encontrar novas soluções.

Gostávamos de poder contar sobre os muitos “futuros” que foram apresentados ou, pelo menos, imaginados durante os dias do Web Summit. Mas, lembram-se do nome da news? Pois é, só temos 10 minutos do seu dia 🙂 Por essa razão, vamos manter o foco num tópico que pode ser aplicado para os mais diferentes setores: a criatividade.

Para muitos, a tecnologia está a matar o processo criativo. No painel “The business of being creative”, o produtor musical e DJ Christopher Leacock a.k.a. Major Lazer, Sam Yam, Co-Founder da Patreon, e Ben Beaumont-Thomas, Editor Musical do The Guardian, questionaram a possível rivalidade entre tech e criatividade. Para Major Lazer, é preciso saber somar as duas componentes para tirar proveito do melhor dos dois mundos. Pensamento também partilhado por Sam que vê nas tecnologias a capacidade de potencializar as capacidades humanas a sua máxima escala. Naturalmente, o tema AI surge como sequência e bastava uma volta pela feira das startups para observar a proporção do investimento que têm sido feito nessa área. Assistentes como o do Google ou a já famosa Alexa são apenas o início de uma revolução na vida humana.

Netflix numbers

Pode até não ser subscritor da Netflix, mas, sem dúvida, sabe daquela série que está a deixar toda a gente agarrada ao ecrã e sempre a carregar em “próximo episódio”. A Netflix revolucionou a forma de assistir e consumir o audiovisual. Além disso, é uma das empresas que mais desperta interesse para trabalhar nos profissionais do setor das IT.

Uma das grandes vantagens de estar presente num evento de grande dimensão como o Web Summit é poder assistir à palestras de profissionais destas grandes empresas que, muitas vezes, parecem estar completamente fora da realidade do quotidiano. Assim foi a apresentação de Greg Peters, Chief Product Officer da Netflix que tinha como tema “Sharing the world’s greatest stories through technology”. Durante 35 minutos, Greg mostrou como a dobragem e legendas com o uso do idioma apropriado (por exemplo, espanhol da América Latina e Espanhol Europeu) tem impacto na interação e sucesso das séries e filmes. Mas, foram os números apresentados sobre a Netflix que impressionaram a audiência:

  • Iniciou a sua internacionalização em 2012 para o Canadá, América Latina, Reino Unido e Irlanda;
  • Em 2015 alcançou o mercado de 190 países ( a ONU conta com 193 paíse-membros);
  • Tem 137 milhões de subscritores;
  • Lançou a primeira produção original (House of Cards) em 2013;
  • Em 2014, lançaram a primeira série original estrangeira (Delight);
  • A série 3% (Brasil/2016) foi a primeira produção estrangeira com a maior audiência fora do seu país de produção. Mais de 50% da audiência era de fora do Brasil;
  • O mesmo fenómeno aconteceu com produções como Las Chicas del Cable e Subura.
  • La Casa de Papel é a produção estrangeira (non-english) com maior audiência de sempre;
  • A Netflix pode ser assistida em mais de 1700 dispositivos diferentes;
  • Hoje, mais de 518 milhões de dispositivos únicos estão conectados a Netflix;
  • House of Cards pode ser assistida com dobragem em 9 idiomas distintos ou 26 legendas;
  • Para cada hora assistida da séria The Rain na Alemanha, seu país de origem, 9 horas são assistidas no estrangeiro.

Sabemos que ainda há muito para ser apresentado pela Netflix, inclusive quem esteve na sessão pode conferir os trailers de duas novas séries exclusivas, uma produção Polaca e outra da Noruega. De facto, a expressão “Glocal” nunca fez tanto sentido.

 

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